Guia Educativo: Este artigo analisa a crise de preço da memória NAND em 2026 e o golpe de capacidade falsificada que ela alimenta, com base em análises de mercado, reportagens técnicas especializadas e reclamações documentadas de compradores.
- O preço do SSD subiu por escassez de NAND, não por acaso — Samsung e SK Hynix cortaram produção de consumo pra priorizar memória de IA. Sem alívio esperado antes de 2027/2028.
- Quanto mais caro o SSD real, mais tentador o SSD falso — golpe mais comum: chip pequeno com firmware alterado informando capacidade muito maior (ex.: 2TB anunciado, 15GB reais).
- Antes de comprar: desconfie de preço bem abaixo do mercado, de “2TB e 4TB pelo mesmo preço” e de vendedor sem histórico.
- Depois de comprar: teste a capacidade real com H2testw antes de confiar qualquer arquivo importante.
- SanDisk não entra na lista de recomendação aqui mesmo sob pressão de preço — histórico de falha na linha Extreme e relato semelhante na linha Pro-G40.
Tem gente comparando o preço de um SSD externo agora com o que pagou há seis meses e achando que teve um erro de digitação no anúncio. Não teve. O mercado de memória NAND — o componente por trás de todo SSD — está passando pela pior crise de oferta em anos, e isso já apareceu no preço de qualquer SSD de marca confiável. O problema é o que isso empurra o leitor a fazer: se um SSD “de verdade” está caro, o SSD suspeito de 2 TB por preço de pechincha na Shopee ou no AliExpress fica ainda mais tentador — e é exatamente aí que mora o golpe mais comum de armazenamento hoje.
Se você está decidindo qual SSD externo comprar do zero, sem entrar no contexto específico da crise de preço, vale começar pelo nosso guia completo de SSD externo confiável. Este post aqui cobre um problema mais específico e mais urgente: por que o preço subiu, e como isso muda o risco de comprar errado agora.
Por que o SSD ficou tão caro em 2026
A causa não está no varejo, está na fábrica. A memória NAND Flash — a peça que armazena os dados dentro de qualquer SSD — subiu de preço em torno de 60% só no primeiro trimestre de 2026, e projeções do setor apontam mais 33% a 38% de alta pela frente. A Samsung e a SK Hynix cortaram a própria produção de NAND para priorizar memória de data center voltada a inteligência artificial (a chamada HBM), que paga muito mais por wafer do que a memória usada em SSD de consumo. Menos fábrica dedicada a NAND de consumo significa menos chip disponível — e isso segura o preço lá em cima. Analistas do setor não esperam alívio real antes de 2027 ou 2028.
Na prática, isso significa que um SSD portátil de marca estabelecida — Samsung, Kingston, Western Digital — está custando sensivelmente mais do que custava há poucos meses, mesmo sem nenhuma mudança de tecnologia ou de qualidade do produto. Não é impressão, é o mercado inteiro reagindo à mesma escassez de matéria-prima ao mesmo tempo.
SSD barato da Shopee: por que virou ainda mais arriscado
Esse é o ponto que a maioria dos guias de compra não conecta. Quando o preço real de um SSD confiável sobe, a distância entre esse preço e o preço de um anúncio suspeito de SSD “de 2 TB” ou “de 4 TB” também aumenta — e quanto maior essa distância, mais atraente (e mais rentável para o golpista) fica vender algo falso. A própria Tom’s Hardware descreve o momento atual como “a tempestade perfeita para golpes de armazenamento”, justamente porque a escassez de NAND tornou peças falsificadas mais lucrativas do que nunca.
O mecanismo do golpe é sempre parecido: o vendedor usa um chip de memória pequeno — de 32 GB a 120 GB, por exemplo — e altera o firmware do controlador para informar ao computador uma capacidade muito maior, como 2 TB ou 4 TB. O sistema operacional “acredita” no número informado. Enquanto os arquivos gravados não ultrapassam a capacidade real do chip, tudo funciona normalmente. No momento em que ultrapassam, o drive começa a sobrescrever dados antigos silenciosamente, sem aviso — e é aí que o usuário perde arquivo sem entender por quê.
Isso não é hipótese. O Reclame Aqui tem reclamação registrada de comprador que recebeu um SSD Kingston anunciado com 120 GB e descobriu, na prática, apenas 15 GB reais de capacidade. Há também relatos de SSD “falsificado” vendido tanto pela Shopee quanto pelo marketplace da Ponto Frio — ou seja, o golpe não é exclusividade de uma plataforma específica, aparece em qualquer canal que permita vendedor terceiro sem curadoria forte.
Como saber se um SSD é falso antes de comprar
O Fórum Adrenaline, um dos maiores fóruns de hardware do Brasil, tem um consenso recorrente sobre esse tipo de anúncio, e ele funciona como um filtro prático antes de qualquer compra.
O primeiro sinal é o preço em si: memória NAND tem um custo de fabricação relativamente previsível, e mais ainda em um momento de escassez como este. Se um SSD de 2 TB de marca reconhecida está custando um valor alto em qualquer loja estabelecida, e você encontra o “mesmo” produto por uma fração bem menor do preço em um anúncio de vendedor desconhecido, isso não é promoção — é o primeiro sinal de alerta. O segundo sinal, ainda mais direto: se um anúncio oferece 2 TB e 4 TB pelo exato mesmo preço, isso é fisicamente incoerente para um produto genuíno — o dobro da capacidade custa mais para fabricar, sempre. O terceiro sinal é o histórico do vendedor: anúncio novo, zero avaliação e nenhum histórico de venda são sinais que a comunidade do fórum trata como praticamente decisivos.
Outros sinais físicos, úteis principalmente para quem já recebeu o produto e está em dúvida: selo holográfico de garantia ausente ou mal posicionado, número de série que parece aleatório ou não bate com o padrão do fabricante, e código de barras que não é reconhecido no site oficial da marca.
Como saber se um SSD é falso depois de comprar
Se o produto já chegou, o teste mais confiável não depende de abrir o drive nem de conhecimento técnico avançado: é testar a velocidade real de transferência. Um SSD com capacidade falsificada quase sempre entrega velocidade muito abaixo do prometido — em vários casos relatados, perto do limite de uma conexão USB 2.0, mesmo em produtos anunciados como USB 3.2. Se a velocidade de gravação despenca de forma abrupta durante uma transferência longa, é outro sinal de que o chip real é muito menor do que o informado, e o controlador está “se virando” com uma capacidade que não existe de verdade.
Existem ferramentas gratuitas feitas justamente para esse teste (a mais citada em fóruns internacionais é o H2testw, que grava e depois relê o disco inteiro para confirmar se a capacidade informada é real). Vale rodar esse teste assim que o produto chegar, antes de confiar nele com qualquer arquivo importante — e, se possível, dentro do prazo de arrependimento da compra.
SSD caro também é clonado: os casos Samsung 970 EVO Plus e 990 Pro
O golpe mais comum de SSD falso, descrito acima, é razoavelmente fácil de flagrar: a capacidade não bate, e um teste de gravação como o H2testw expõe isso em minutos. Existe uma segunda categoria de falsificação, mais sofisticada e mais difícil de perceber, que não mente sobre o tamanho — o SSD entrega a capacidade real, mas o hardware por dentro é outro, disfarçado com a marca de um produto caro. Um caso real documentado no Reddit (r/pcmasterrace) mostra isso com um Samsung 970 EVO Plus: a etiqueta é quase idêntica à original, mas falta um componente perto do conector que aparece até na foto da caixa, e o controlador exposto na placa traz gravada a marca Maxio — nenhum SSD Samsung genuíno usa controlador de terceiro. O dono só percebeu ao rodar o Samsung Magician, que não exibiu o selo de “genuíno” da forma como exibe em um drive real.
Em março de 2026, o site japonês Akiba PC Hotline! e, na sequência, a Tom’s Hardware documentaram uma versão ainda mais convincente do mesmo golpe, aplicada ao Samsung 990 Pro. A embalagem falsa é quase indistinguível da original — a única pista visual encontrada foi um gancho de pendurar em prateleira que a caixa genuína não tem. Por dentro, o mesmo padrão do 970 EVO Plus se repete: controlador Maxio MAP1602 no lugar do Pascal da Samsung, sem memória DRAM. A diferença é que, dessa vez, a capacidade informada (1 TB) era real, e o desempenho em teste rápido (CrystalDiskMark) ficou perto do original. O golpe só desmoronou num teste de gravação sustentada: copiar um arquivo de 397 GB levou 3min33s no SSD genuíno (1.861 MB/s) contra 25min20s no clone (261 MB/s) — depois que o cache SLC esgota, a velocidade despenca para 100 MB/s. A forma mais confiável de flagrar esse tipo de clone continua sendo o software oficial do fabricante (o Samsung Magician, nesse caso), que se recusa a autenticar a unidade mesmo quando o benchmark superficial parece normal.

Quem ainda assim quiser considerar o 990 Pro original — sabendo agora como o clone é convincente — encontra o modelo genuíno no Mercado Livre. Não é uma recomendação formal deste post: é um SSD interno M.2, categoria diferente dos SSDs externos que comparamos aqui — a citação serve só como referência pra quem for pesquisar o produto depois de ler este alerta.
Vale uma ressalva importante, na mesma linha do que já dissemos sobre outras marcas neste post: tanto o 970 EVO Plus quanto o 990 Pro são vendidos oficialmente no Brasil, em Mercado Livre e Amazon.com.br — o risco não é só “lá fora”. Já os SSDs externos que este post efetivamente recomenda — T7 Shield, T9, XS1000 e o WD My Passport SSD — não têm, até o fechamento desta pesquisa, nenhum caso documentado de clone sofisticado do mesmo tipo. Isso não os torna imunes, mas existe uma explicação plausível: um SSD externo tem carcaça, cabo e certificação pra replicar além da etiqueta, o que encarece e dificulta a falsificação convincente — um golpista de SSD M.2 só precisa reproduzir uma placa e um adesivo. De qualquer forma, o princípio de verificação continua o mesmo: rode o software de autenticação do fabricante e desconfie de desempenho sustentado abaixo do esperado, não só do resultado de um teste rápido.
Qual SSD externo comprar agora, mesmo com o preço em alta
Pagar mais por um SSD de marca reconhecida ainda é uma decisão mais segura do que arriscar num anúncio suspeito para “economizar” — o risco de perder todos os arquivos não vale a diferença de preço. Dentro das opções com histórico limpo, a escolha muda conforme o que você prioriza.
Para quem quer o equilíbrio mais seguro entre preço e confiabilidade, o Samsung T7 Shield — disponível em 1 TB, 2 TB e 4 TB segue sendo a referência mais citada nas fontes, com revestimento resistente a poeira e respingo (selo IP65) e sem relato do tipo de falha súbita que marcou outras linhas do mercado. Vale uma ressalva honesta: mesmo essa linha já teve reclamação pontual registrada no Reclame Aqui sobre conector USB-C com defeito após meses de uso — não é motivo para descartar o produto, mas reforça que nenhuma recomendação aqui é “produto perfeito”, e vale sempre manter mais de uma cópia de qualquer arquivo que importe.
Para quem quer gastar menos e só precisa de um SSD para uso doméstico básico, o Kingston XS1000 — disponível em 1 TB e 2 TB cumpre bem — com a ressalva de que ele não tem criptografia embutida (não é indicado para arquivo sigiloso) e perde velocidade em transferências longas e contínuas, depois que o cache interno enche.
Vale pagar mais caro por um SSD mais rápido agora?
Normalmente, a resposta seria não — o Samsung T9 — facilmente encontrado em 1 TB e 2 TB costuma custar bem mais que o T7 Shield lá fora (a diferença chega a passar de 80% em alguns mercados), o que faz sentido só para quem transfere vídeo pesado ou arquivo RAW com frequência. A recomendação padrão, inclusive internacional, é: T7 Shield para a maioria, T9 só para quem realmente precisa da velocidade extra (até 2.000 MB/s contra cerca de 1.050 MB/s do T7 Shield).
O detalhe é que, no mercado brasileiro, essa diferença de preço entre os dois modelos encolheu bastante com a crise atual — a ponto de os dois custarem valores muito próximos em boa parte dos anúncios ativos. Isso muda a conta: se o preço do T9 estiver perto do preço do T7 Shield no momento da sua pesquisa, faz sentido considerar o T9 mesmo sem precisar da velocidade máxima, só pela resistência a queda um pouco maior e a folga de desempenho para o futuro. Vale conferir o preço do dia antes de decidir — essa diferença muda de uma semana para outra enquanto a crise durar.
SanDisk entra nessa lista?
Não, e vale explicar por quê em vez de simplesmente omitir a marca. Já cobrimos em detalhe o defeito de hardware da linha SanDisk Extreme e Extreme Pro, que causa perda súbita de dados e não é resolvido por atualização de firmware. Ao pesquisar se havia alguma linha SanDisk mais recente com histórico limpo para recomendar aqui, o quadro piorou em vez de melhorar: a linha profissional PRO-G40 tem falha documentada por pelo menos quatro fontes independentes. A mesma PetaPixel relatou perda de dados em duas unidades PRO-G40 diferentes, com bloqueios constantes no software DaVinci Resolve e travamento total do computador — o suficiente para o site suspender a recomendação de qualquer SSD portátil da marca. A publicação técnica alemã Heise Online e o site Digital Camera World documentaram o mesmo padrão de “autodestruição” e desaparecimento da unidade em modelos fabricados a partir de novembro de 2022, e usuários no fórum oficial da SanDisk e no Reddit (r/editors) relatam o SSD “congelando o explorador de arquivos” e falhas de indexação mesmo em unidades compradas em 2025.
A causa técnica não é a mesma solda frágil da linha Extreme — é outra fragilidade, igualmente séria. O PRO-G40 usa uma ponte Thunderbolt que exige alimentação contínua de 5V/3A, e muitos notebooks e hubs reduzem energia em modo ocioso, o que provoca queda de tensão e trava o sistema de arquivos. No macOS, a combinação dos controladores Intel Titan Ridge e ASMedia falha ao processar comandos TRIM, gerando amplificação de escrita e degradação acelerada. Há ainda relatos de falha total do circuito Thunderbolt entre 12 e 15 meses de uso, deixando o drive limitado a modos USB-C lentos ou totalmente inacessível.
A SanDisk anunciou recentemente uma nova linha via USB4 (SDSSDE82, até 3.800 MB/s) que promete resolver os problemas da arquitetura anterior — mas a disponibilidade dela no Brasil ainda não está confirmada, e não existe laudo técnico independente comprovando que o problema foi de fato corrigido. Até que isso mude, sem uma linha SanDisk com histórico confiável confirmado, preferimos não indicar nenhuma, mesmo sob pressão de preço.
Perguntas que as fontes respondem
Dúvidas recorrentes de quem está pesquisando SSD externo em meio à crise de preço de 2026.
Não foi do dia para a noite — é uma escassez de memória NAND Flash que vem se acumulando desde o fim de 2025. Fabricantes como Samsung e SK Hynix reduziram produção de NAND de consumo para priorizar memória de data center usada em inteligência artificial, que paga mais por wafer. Menos oferta, mesma demanda, preço sobe.
Merece desconfiança redobrada justamente agora. Quanto maior a diferença entre o preço de um SSD confiável e o preço de um anúncio suspeito, mais lucrativo fica vender uma peça com capacidade falsificada — e a crise de NAND aumentou exatamente essa diferença.
O teste mais confiável é gravar e reler o disco inteiro com uma ferramenta como o H2testw, que confirma se a capacidade informada bate com a capacidade real. Também vale observar a velocidade de transferência: se ela despencar de forma abrupta numa transferência longa, é sinal de que o chip real é menor do que o anunciado.
Analistas do setor não esperam alívio significativo antes de 2027 ou 2028, quando novas fábricas de NAND devem entrar em operação. Não há sinal de que o preço vá cair no curto prazo.
Por que o SSD ficou tão caro
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