
A pergunta quase sempre chega errada: “Qual é o melhor, VA ou IPS?”. A busca por uma resposta absoluta parte da ilusão de que uma das tecnologias é perfeita e a outra é um erro de quem não pesquisou. Não é assim que funciona. Tanto o alinhamento vertical (VA) quanto a comutação no plano (IPS) carregam uma limitação física intrínseca — não um defeito de lote, mas um comportamento da arquitetura dos cristais líquidos que não se corrige com perfil de cor, driver atualizado ou cabo novo. A escolha real não é entre o painel bom e o ruim, mas entre dois incômodos diferentes, e a decisão correta é a que coloca o incômodo onde a sua rotina menos vai reparar.
Para quem busca precisão de cor, visão lateral estável e texto sem deformação na rolagem, o painel IPS é a escolha mais segura — aceitando pretos levemente acinzentados no escuro. Nossas indicações são o ASUS TUF Gaming VG27AQ5A em QHD pela entrega por real, o Dell UltraSharp U2724D com IPS Black para produtividade intensiva e o LG UltraGear 27GS60F-B para quem precisa de um Full HD de entrada. Para quem consome mídia no escuro, joga títulos imersivos e exige preto profundo sem pagar por uma tela OLED, a escolha é o painel VA — aceitando rastros escuros em transições rápidas. A liderança fica com o Samsung Odyssey G5 27″ em QHD curvo, acompanhado pelo PCYes O-Creed O27CQ e pelo Mancer Horizon Z2B para orçamentos curtos. Abaixo estão os dois pódios e a física que rege cada tela.
- Os dois pódios, IPS e VA — o Dell UltraSharp U2724D e o ASUS TUF VG27AQ5A lideram o lado IPS; o Samsung Odyssey G5 lidera o lado VA.
- Black smearing contra IPS glow — o rastro escuro do VA ao rolar texto e o brilho de canto do IPS no escuro, explicados pela física do painel.
- Mesmo nome, dois painéis — a linha Odyssey G5 existe em VA curvo e em Fast IPS plano, e só a sigla na ficha decide qual chega.
- Cinco critérios que reprovam um monitor — suporte que só inclina, brilho por PWM, pós-venda fraco e anúncio sem a sigla do painel.
- Glow ou defeito? — o teste do quarto escuro que separa característica da tecnologia de vazamento de luz que justifica troca.
- Qual painel é o seu — a decisão pela luz do ambiente e pelo tipo de conteúdo que ocupa a sua tela.
O que recomendamos hoje
A dimensão que corta esta categoria não é marca, taxa de atualização ou preço: é a física da tela. Um ranking com IPS e VA no mesmo pódio colocaria em disputa direta produtos projetados para ambientes e necessidades opostos. Para quem trabalha em ambiente claro e precisa de texto nítido sem rastro na rolagem, o IPS ganha sempre. Para quem joga ou assiste a filmes no escuro e quer profundidade de preto sem pagar por OLED, o VA leva vantagem. Por isso são dois pódios, um para cada lado da moeda.
Dentro de cada pódio, a ordem considerou o que um monitor de uso prolongado precisa entregar: contraste real, fidelidade de cor e o item que mais pesa no uso diário — a ergonomia do suporte. Cinco dos seis modelos desta lista trazem apenas ajuste de inclinação de fábrica. Isso não os reprova, mas coloca o braço VESA na conta antes de fechar o pedido.
Pódio IPS: estabilidade de cor e visão lateral (aceitando o IPS glow)
Os três monitores abaixo entregam a uniformidade que texto, planilha e código exigem. Nenhum deles entrega preto de cinema no escuro total — nenhum IPS convencional entrega. O que muda entre eles é a densidade de pixels, o contraste real e a ergonomia de fábrica.
Melhor uso misto em QHD IPS
ASUS TUF Gaming VG27AQ5A
27″ · 2560×1440 (109 PPI) · Fast IPS · até 210 Hz · 0,3 ms · 130% sRGB / 95% DCI-P3 · 1300:1 · só inclinação
- + Contraste declarado de 1300:1, o maior entre os IPS convencionais da lista
- + 109 PPI de densidade QHD com cobertura de cor ampla (130% sRGB)
- − Suporte sem ajuste de altura, apenas inclinação de +20° a −5°
- − Relatos recorrentes de tela preta intermitente no DisplayPort acima de 165 Hz
Para quem é: quem quer os 109 PPI do QHD para trabalhar de dia e taxa alta para jogar à noite na mesma tela, resolvendo a altura com braço VESA.
Para quem não é: quem precisa de ajuste de altura de fábrica ou comprou pelos 210 Hz — é justamente acima de 165 Hz no DisplayPort que proprietários relatam tela preta, e o contorno é travar a taxa nesse valor.
Melhor IPS para leitura e texto
Dell UltraSharp U2724D
27″ · 2560×1440 (109 PPI) · IPS Black · 120 Hz · 96% DCI-P3 · contraste medido até 2370:1 · altura, giro, inclinação e pivô
- + Painel IPS Black com contraste medido acima de 1600:1 por dois veículos independentes
- + Único suporte completo da lista: 150 mm de altura, giro e rotação para retrato
- − Curva gama de 2.0 medida de fábrica, sem controle de gama no menu
- − Sem FreeSync ou G-SYNC oficiais, e USB-C sem vídeo nem entrega de energia
Para quem é: quem passa a jornada inteira dentro de texto e planilha e quer, numa só tela, 109 PPI, preto aprofundado pelo IPS Black e suporte que sobe até a linha dos olhos.
Para quem não é: quem joga competitivo ou esperava ligar e carregar o notebook por um único cabo USB-C — essa função pertence à versão com Thunderbolt, a U2724DE.
Entrada em Full HD IPS
LG UltraGear 27GS60F-B
27″ · 1920×1080 (82 PPI) · IPS · 180 Hz · 1 ms GtG · 99% sRGB · 1000:1 · só inclinação
- + IPS de 180 Hz sem o rastro escuro (black smearing) dos VA da mesma faixa
- + Resposta de 1 ms GtG com FreeSync e G-SYNC na mesma caixa
- − 82 PPI em 27″: texto pequeno mostra serrilhado a menos de cerca de um metro
- − Suporte sem ajuste de altura e filtro fosco levemente granulado em fundo branco
Para quem é: quem tem teto de gasto curto, quer 27 polegadas para dividir janelas e prefere aceitar os 82 PPI a conviver com o borrão escuro do VA.
Para quem não é: quem lê texto de corpo pequeno o dia inteiro — nesse caso a densidade do QHD é insubstituível, e a conversa volta aos dois primeiros do pódio.
Pódio VA: preto profundo e contraste (aceitando o black smearing)
Os três modelos abaixo entregam o contraste que o IPS não alcança. Eles bloqueiam a retroiluminação com mais eficiência e garantem pretos densos no escuro — em troca de um atraso físico na transição de tons escuros durante a rolagem.
Melhor VA QHD para filmes e jogos
Samsung Odyssey G5 27″ (LS27CG550)
27″ · 2560×1440 (109 PPI) · VA curvo 1000R · 165 Hz · 1 ms MPRT · 2500:1 estático · só inclinação
- + Contraste estático de 2500:1, com imagem imersiva em sala escura
- + QHD de 109 PPI, com boa definição de texto e de imagem
- − Curvatura de 1000R que entorta linhas retas em planilha e trabalho gráfico
- − Black smearing perceptível ao rolar documentos e código em modo escuro
Para quem é: quem quer um monitor para filmes, séries e jogos de campanha num quarto escuro, sem o preto acinzentado do IPS.
Para quem não é: quem passa o dia rolando texto em modo escuro, ou trabalha com design e arquitetura, em que a curvatura de 1000R entorta as linhas-guia.
Alternativa VA QHD curvo
PCYes O-Creed O27CQ
27″ · 2560×1440 (109 PPI) · VA curvo 1500R · 180 Hz · 1 ms · 3000:1 estático · só inclinação
- + Contraste declarado de 3000:1 com curvatura de 1500R, mais suave que a do Odyssey G5
- + 180 Hz e 109 PPI na faixa de preço intermediária
- − Perda de saturação e mudança de tom fora do centro de visão
- − Contraste e resposta sem medição independente do modelo: valores de fabricante
Para quem é: quem quer o contraste do VA em QHD com uma curvatura menos agressiva para o uso diário.
Para quem não é: quem divide a tela com alguém sentado ao lado — o desbotamento lateral é visível.
Entrada barata em VA
Mancer Horizon Z2B
27″ · 1920×1080 (82 PPI) · VA · 100 Hz · 1 ms · 3000:1 estático · 250 nits · só inclinação
- + Menor desembolso da lista para 3000:1 de contraste declarado em 27 polegadas
- + 100 Hz, com rolagem de interface mais fluida que a de um painel de 60 Hz
- − Brilho limitado a 250 nits, que sofre em sala com luz natural direta
- − Resposta lenta em tons escuros e 82 PPI de densidade em Full HD
Para quem é: quem tem orçamento estrito e quer uma segunda tela grande para multimídia, usada em ambiente de luz controlada.
Para quem não é: quem trabalha em sala muito iluminada ou precisa de movimento limpo, sem arrasto escuro.
Análise Técnica Independente: comparamos seis monitores de 27 polegadas — três IPS e três VA — cruzando a ficha oficial de ASUS, Dell, LG, Samsung, PCYes e Mancer com as medições publicadas pela PCWorld e pela Tech2Geek, com o histórico de atendimento no Reclame Aqui e com relatos de proprietários em comunidades do Reddit.
O defeito do VA contra o defeito do IPS: a física que o marketing esconde
Nenhuma tecnologia de cristal líquido entrega tudo. O que a ficha técnica chama de “recurso premium” costuma ser uma tentativa de suavizar uma limitação que o painel carrega de fábrica. Para escolher o monitor, o primeiro passo é entender o que acontece atrás do vidro.
O defeito do VA: o rastro preto (black smearing) ao rolar páginas
O painel VA (Vertical Alignment) tem uma virtude que se vende sozinha: contraste estático. Os cristais se alinham verticalmente quando desenergizados e bloqueiam a retroiluminação com muito mais eficiência que o IPS. O resultado é um preto profundo — os três VA desta lista declaram entre 2500:1 e 3000:1 —, com cenas de cinema convincentes em ambiente escuro.
O problema mora no próprio ponto forte. Para fechar a passagem de luz, os cristais ficam numa posição física extrema, e sair do preto absoluto para um cinza escuro é o movimento mais lento que o painel executa — o cristal leva mais tempo para girar do que entre dois tons claros.
Na prática, isso vira o black smearing: um rastro escuro que se arrasta atrás de objetos em movimento. Onde ele pesa não é no filme nem no jogo — é no trabalho em modo escuro. Ao rolar um documento, uma planilha densa ou um código com fundo escuro, as letras parecem soltar tinta preta durante o movimento, e quem passa o dia lendo sente o esforço de foco se acumular.
Forçar o menu do monitor não resolve. Subir o overdrive de tempo de resposta ao máximo aplica voltagem em excesso aos pixels e cria o ghosting inverso — halos claros em volta de objetos em movimento, frequentemente mais incômodos que o borrão original. O ajuste intermediário é quase sempre o ponto correto.
A linha Odyssey G5 existe em VA curvo e em Fast IPS plano
A Samsung vende sob o selo “Odyssey G5” tanto a versão VA curva — o LS27CG550 do nosso pódio, que carrega o rastro escuro descrito acima — quanto variantes com painel Fast IPS plano, como o G50D e o G53F, que não têm esse comportamento.
A leitura que importa, em uma frase. O nome da linha não diz o painel: só a sigla na ficha técnica do modelo exato decide qual dos dois incômodos chega à sua mesa.
O defeito do IPS: o brilho nos cantos no escuro (IPS glow)
O painel IPS (In-Plane Switching) resolve a agilidade que falta ao VA. Como os cristais giram paralelamente ao plano da tela, a transição entre tons escuros é rápida e uniforme, sem rastro na rolagem de texto. A luz também atravessa o painel de forma parecida em qualquer ângulo, então cor e contraste se mantêm estáveis quando você olha de lado.
A conta dessa agilidade chega no escuro. A estrutura de cristais paralelos não bloqueia a retroiluminação por completo, e parte da luz escapa pela matriz polarizadora. O resultado é o IPS glow: um brilho difuso, esbranquiçado, acinzentado ou amarelado, que surge nos cantos da tela com conteúdo escuro em cômodo sem luz.
IPS glow ou vazamento de luz: a diferença entre física e defeito de fábrica
Uma das confusões mais recorrentes entre compradores é misturar IPS glow com vazamento real de luz (backlight bleed). As causas e as soluções são diferentes:
- IPS glow (física da tecnologia): brilho difuso ligado aos ângulos de visão do painel. Ele muda de intensidade ou some quando você move a cabeça e recentraliza a visão. Não é defeito de fabricação — é como o IPS se comporta no escuro.
- Backlight bleed (defeito de montagem): pressão excessiva da moldura sobre o painel deixa a luz do LED escapar pelas bordas. Aparece como manchas ou “nuvens” fixas e intensas que não mudam com o ângulo de visão. Esse caso justifica devolução ou troca.
E o OLED, não resolve os dois problemas de uma vez?
No OLED (Organic Light-Emitting Diode), cada pixel emite a própria luz e se apaga individualmente, entregando preto absoluto com tempo de resposta quase instantâneo. Ele elimina o IPS glow e o black smearing de uma vez. Para quem usa o monitor para trabalhar, porém, troca esses dois incômodos por outros dois:
- Risco real de burn-in: degradação desigual dos compostos orgânicos causada por elementos estáticos exibidos por horas seguidas, como a barra de tarefas do Windows, o cabeçalho do navegador e a estrutura das planilhas.
- Franjas coloridas em texto (text fringing): os arranjos de subpixels não convencionais do OLED, como a estrutura triangular do QD-OLED ou a do WOLED, produzem contornos coloridos na borda de fontes pequenas, e o texto parece desfocado.
Cinco critérios que reprovam um monitor antes do pedido
Estes são os filtros que aplicamos à página do anúncio e aos primeiros minutos de uso. Nenhum deles aparece nas fotos principais da vitrine, e todos pesam mais numa jornada de trabalho do que a taxa de atualização.
1. A ficha não mostra a sigla do painel
Reprovação imediata enquanto a dúvida existir. Procure “VA” ou “IPS” escrito na ficha técnica do modelo exato, e não só no título do anúncio. O caso da linha Odyssey G5, descrito acima, mostra por quê: o mesmo nome comercial cobre painéis com incômodos opostos, e o sufixo do modelo carrega a informação que decide a compra.
2. O suporte só inclina
Uma base que permite apenas inclinação obriga o corpo a se adaptar à altura da tela, e não a tela ao corpo. Para manter o topo do monitor na linha dos olhos, sobra improvisar com livros ou comprar um braço VESA de 100×100 mm — um custo que raramente entra no orçamento inicial. Cinco dos seis aprovados declaram só inclinação: o ASUS TUF VG27AQ5A, o LG UltraGear 27GS60F-B, o Samsung Odyssey G5, o PCYes O-Creed O27CQ e o Mancer Horizon Z2B. Só o Dell UltraSharp U2724D traz altura, giro e pivô de fábrica.
Além da altura — em geral entre 110 mm e 150 mm de curso nos monitores que a oferecem —, a função pivô, que gira a tela 90° para retrato, muda o trabalho de programadores, revisores de contrato e analistas de dados. Um documento longo ou centenas de linhas de código na vertical reduzem a rolagem e aproveitam melhor a densidade do painel.
3. O brilho é controlado por PWM
Monitores de entrada sem certificação de conforto visual costumam regular o brilho por PWM (Pulse-Width Modulation), ligando e desligando o LED traseiro em alta frequência. A oscilação é rápida demais para ser percebida conscientemente, mas está associada a ardência nos olhos e dor de cabeça em pessoas sensíveis depois de algumas horas.
O Flicker-Free real regula a luminância por corrente contínua (DC dimming) e mantém a iluminação constante em qualquer nível de brilho. Leia a ficha com atenção: em alguns painéis simples, o modo sem oscilação só funciona com o brilho acima de 50% e volta ao PWM quando a intensidade é reduzida para o uso noturno.
4. O pós-venda não cobre o seu uso
Para um equipamento de trabalho diário, a garantia no Brasil pesa tanto quanto a especificação de cor, e as políticas das marcas são bem diferentes:
- Dell (linhas Pro e UltraSharp): até 3 anos de garantia com troca avançada (Advanced Exchange Service). Confirmado o defeito de hardware ou o pixel preso, a unidade de substituição é enviada antes de você despachar o monitor defeituoso — e a empresa mantém reputação máxima no Reclame Aqui.
- LG e Samsung (linhas de entrada e gamer): costumam oferecer 12 meses de garantia padrão e acumulam relatos de demora no envio de peças e de exigência de um número mínimo de subpixels mortos, geralmente entre 3 e 5 pontos, para autorizar a troca, como mostram as reclamações da Samsung no Reclame Aqui.
5. Você ligou antes de filmar
Este é o único critério que depende de você, e o mais barato de todos. Filme a abertura da caixa com o celular, do lacre até a primeira imagem na tela, sem pausar, e faça ali mesmo o teste de tela cheia branca e preta. Painel viaja mal, e noventa segundos de vídeo são a diferença entre uma troca tranquila e a sua palavra contra a do vendedor — principalmente quando a política de pixels exige contagem mínima de pontos mortos.
O teste do quarto escuro: como separar glow, vazamento e rastro em cinco minutos
Apague a luz, abra uma imagem totalmente preta em tela cheia e sente na distância normal de uso.
No IPS, mova a cabeça devagar para os lados. Brilho que muda de intensidade com o ângulo é glow, característica da tecnologia. Mancha clara fixa nas bordas, que não se altera, é vazamento de luz por pressão na montagem — defeito que justifica devolução ou troca.
No VA, acenda a luz, abra um documento longo em modo escuro e role a página em velocidade normal. Se as letras deixam rastro a ponto de atrapalhar a leitura, coloque o overdrive no nível intermediário e repita. Se o incômodo continuar, o seu uso pede um IPS — e os sete dias do direito de arrependimento da compra à distância ainda estão correndo.
O que o anúncio precisa responder antes da sua decisão
A maioria destas informações não aparece nas fotos principais da vitrine.
A sigla do painel está na ficha?
O mesmo nome de linha existe em VA curvo e em IPS plano. Confira a tecnologia no modelo exato.
O suporte ajusta a altura?
Se só inclina, some um braço VESA 100×100 ao custo da compra.
O brilho é Flicker-Free em qualquer nível?
Alguns painéis voltam ao PWM com o brilho abaixo de 50%, justamente no uso noturno.
A garantia cobre pixel e troca rápida?
Prazo, troca avançada e regra de pixels mortos variam muito entre as marcas.
Você vai filmar o desembalar?
Do lacre até a primeira imagem, sem pausa, com tela cheia branca e preta.
Já fez o teste do quarto escuro?
Brilho que muda com o ângulo é glow; mancha fixa nas bordas é defeito e pede troca.
Como comparamos e avaliamos
A origem do dilema. Esta apuração começou por uma pergunta que chega quase sempre errada — “qual é o melhor, VA ou IPS?” — e pela frustração que ela produz: quem compra pelo painel “vencedor” descobre, dias depois, um incômodo que nenhum ajuste de menu corrige. O rastro escuro do VA e o brilho de canto do IPS não são defeitos de lote; são consequência do alinhamento dos cristais líquidos. Por isso o método daqui não ranqueia tecnologias: separa os dois incômodos e aponta onde cada um pesa menos.
Onde fomos minerar. Na camada normativa, partimos das fichas oficiais dos seis monitores — que registram, por exemplo, o “Height Adjustment: No” do ASUS TUF VG27AQ5A — e das medições de bancada de terceiros: a PCWorld, em 5 de janeiro de 2024, mediu 2370:1 de contraste e curva gama de 2.0 no Dell UltraSharp U2724D, e a Tech2Geek, em 6 de abril de 2025, mediu 1682:1 na configuração padrão e 1966:1 com brilho e contraste no máximo.
Na camada de admissão de fabricante, pesaram as políticas de garantia declaradas e o histórico público de atendimento no Reclame Aqui da Dell e no Reclame Aqui da Samsung.
Na camada de relato de campo, fomos ao r/ASUS para a tela preta no DisplayPort, ao r/computadores para o rastro escuro em modo escuro do Odyssey G5 e ao r/Monitors para a confusão entre SKUs da mesma linha e entre glow e vazamento.
Como pesamos. Número de bancada só entrou com veículo nomeado e data; especificação de fabricante entrou marcada como tal. Relato de comunidade valeu pelo padrão que se repete, não pelo volume de reclamação: a tela preta do ASUS TUF VG27AQ5A aparece em tópicos independentes com o mesmo gatilho — DisplayPort acima de 165 Hz — e foi tratada como padrão recorrente, sem boletim ou reconhecimento público da ASUS. O rastro escuro do Samsung Odyssey G5 foi tratado como comportamento da tecnologia VA, e não como defeito de unidade, porque segue a mesma física de todo o pódio VA. E a dúvida entre IPS glow e vazamento de luz foi separada das reclamações de garantia, porque só o segundo caso é defeito de montagem.
O que isso muda na recomendação. Três coisas. A primeira é a divisão em dois pódios, porque o incômodo que pesa depende da luz do ambiente e do tipo de conteúdo. A segunda é a leitura dentro do pódio IPS: o ASUS TUF VG27AQ5A fica à frente pela entrega por real, com a ressalva de travar o DisplayPort em 165 Hz, e o Dell UltraSharp U2724D é a escolha para leitura prolongada pelo contraste medido e pelo único suporte completo da lista. A terceira é a base de evidência: nenhuma medição de bancada citada aqui é nossa, e o PCYes O-Creed O27CQ e o Mancer Horizon Z2B entram por especificação declarada e função, sem medição independente dos modelos específicos — é por isso que ocupam as posições de alternativa e de entrada.
Análise individual
ASUS TUF Gaming VG27AQ5A — especificação alta em QHD IPS, com ressalva de frequência

O que ele faz bem. Na ficha oficial da ASUS, o VG27AQ5A é a maior especificação por real do pódio IPS: Fast IPS de 2560×1440 até 210 Hz, 0,3 ms de resposta mínima declarada, 1300:1 de contraste — o maior entre os IPS convencionais da lista — e 130% de sRGB com 95% de DCI-P3. Os 109 PPI eliminam o serrilhado em leitura prolongada, e a cobertura de cor dispensa perfil calibrado no primeiro dia.
O ponto de atenção. Dois. A mesma ficha registra “Height Adjustment: No”, com inclinação de −5° a +20° apenas, o que coloca o braço VESA na conta. E proprietários relatam tela preta intermitente de cerca de dois segundos no DisplayPort acima de 165 Hz, em tópicos independentes no r/ASUS, sem reconhecimento público da ASUS. Como trabalho de escritório não consome 210 Hz, a ressalva não o tira da recomendação, mas inverte a escolha de quem o compraria só pelo teto de frequência.
O que ajustar nos primeiros dias. Defina o DisplayPort em 165 Hz desde o primeiro dia. Mantenha a escala do Windows em 125%, desligue o ELMB Sync durante a leitura, porque ele reduz o brilho, e use o perfil de imagem sRGB ou Padrão.
Dell UltraSharp U2724D — o padrão em IPS Black, com ergonomia de fábrica

O que ele faz bem. O U2724D resolve o problema central de quem trabalha com texto. O painel IPS Black aproxima a profundidade de preto do VA sem o rastro escuro em movimento: a PCWorld mediu 2370:1, e a Tech2Geek, entre 1682:1 e 1966:1. Somam-se 109 PPI, 120 Hz, 96% de DCI-P3 e o único suporte completo da lista — 150 mm de altura, giro, inclinação e rotação para retrato —, além de três anos de garantia com troca avançada.
O ponto de atenção. A PCWorld registrou curva gama de 2.0 de fábrica, sem controle de gama no menu, o que deixa a imagem mais clara do que deveria sem um perfil ICC no sistema. A porta USB-C descendente é só de dados: não transmite vídeo nem carrega o notebook, função da versão U2724DE com Thunderbolt. E não há FreeSync nem G-SYNC oficiais.
O que ajustar nos primeiros dias. Conecte a máquina por DisplayPort ou HDMI 2.1 e aplique um perfil de cor ICC no sistema operacional para corrigir a gama. Teste a rotação de 90° com documentos e código antes de concluir que não vai usar o pivô.
LG UltraGear 27GS60F-B — a saída em Full HD IPS para uso misto

O que ele faz bem. O 27GS60F-B é a entrada para quem quer 27 polegadas sem o rastro escuro do VA. A ficha oficial da LG confirma IPS de 1920×1080 a 180 Hz, 1 ms GtG, 99% de sRGB e compatibilidade com FreeSync e G-SYNC: rolagem fluida, jogo competitivo coberto e cor estável ao olhar de lado.
O ponto de atenção. Os 82 PPI mostram serrilhado em texto pequeno a menos de cerca de um metro da tela, e o contraste típico de 1000:1 é o piso da categoria. O suporte só inclina, de −5° a +15°, e o filtro fosco pode parecer levemente granulado em fundos totalmente brancos.
O que ajustar nos primeiros dias. Afaste a tela o quanto a mesa permitir, para os 82 PPI pesarem menos. Force os 180 Hz na configuração de vídeo do sistema e mantenha a escala do Windows em 100%, para não perder espaço útil de tela.
Samsung Odyssey G5 27″ (LS27CG550) — alto contraste e imersão para salas escuras

O que ele faz bem. O Odyssey G5 LS27CG550 entrega 2560×1440 em 27 polegadas, curvatura de 1000R, 165 Hz e contraste estático declarado de 2500:1. Em sala escura ou com luz controlada, isso vira pretos profundos e cenas com corpo em filmes e jogos de campanha, sem o brilho acinzentado de canto típico do IPS.
O ponto de atenção. As transições a partir do preto são as mais lentas do painel, e proprietários descrevem no r/computadores o rastro escuro ao rolar documentos em modo escuro. A curvatura de 1000R entorta visualmente as linhas-guia de planilhas e de softwares de arquitetura e design, e o suporte só inclina. Antes do pedido, confira a sigla: a linha Odyssey G5 também tem versões Fast IPS planas.
O que ajustar nos primeiros dias. Role um documento longo em modo escuro logo nos primeiros dias. No menu, deixe o tempo de resposta em “Standard” ou “Fast” e evite “Extreme”, que cria halos claros em volta dos objetos em movimento.
PCYes O-Creed O27CQ — alternativa VA QHD com curvatura mais suave

O que ele faz bem. O O-Creed O27CQ oferece QHD de 109 PPI em VA curvo de 1500R, com 180 Hz e contraste estático declarado de 3000:1. A curvatura, mais suave que a da linha Odyssey, é mais natural para uso misto de trabalho e mídia, e a densidade mantém as fontes bem acabadas.
O ponto de atenção. Como todo VA desta faixa, perde saturação e muda de tom fora do centro de visão e mostra rastro escuro em movimento. Não localizamos medição de bancada independente do modelo específico: contraste e resposta são declarações do fabricante, e é por isso que ele ocupa a posição de alternativa, e não de liderança.
O que ajustar nos primeiros dias. Centralize o monitor em relação aos olhos para evitar perda de saturação nas bordas, ajuste o brilho ao ambiente de trabalho e repita o teste de rolagem em modo escuro antes do fim do prazo de arrependimento.
Mancer Horizon Z2B — porta de entrada de baixo custo em VA

O que ele faz bem. O Horizon Z2B é a recomendação de orçamento estrito: VA de 27 polegadas em 1920×1080, 100 Hz, 1 ms de resposta anunciada e contraste estático declarado de 3000:1. É o menor desembolso da lista para preto aceitável no escuro em tela grande, com rolagem mais suave que a de um painel de 60 Hz.
O ponto de atenção. O brilho máximo de 250 nits sofre em sala com luz solar direta, a resposta em tons escuros é lenta e os 82 PPI limitam a nitidez de texto pequeno. O suporte só inclina e, como no PCYes O-Creed, os números vêm da ficha do fabricante, sem medição independente do modelo.
O que ajustar nos primeiros dias. Filme a abertura da caixa e faça o teste de tela cheia branca e preta no primeiro dia. Evite janela sem cortina atrás ou em frente à tela, porque os 250 nits não vencem a luz direta, e afaste o monitor o quanto a mesa permitir.
Comparativo lado a lado
Uma tabela por pódio, na ordem do pódio, e uma terceira que resume os dois lados da física de painel.
Pódio IPS
| Monitor | Painel e densidade | Taxa e contraste | Suporte |
|---|---|---|---|
| ASUS TUF Gaming VG27AQ5A | Fast IPS · 2560×1440 (109 PPI) | Até 210 Hz · 0,3 ms · 1300:1 declarado | Só inclinação (+20°/−5°) |
| Dell UltraSharp U2724D | IPS Black · 2560×1440 (109 PPI) | 120 Hz · 1682:1 a 2370:1 medidos | Altura 150 mm, giro, inclinação e pivô |
| LG UltraGear 27GS60F-B | IPS · 1920×1080 (82 PPI) | 180 Hz · 1 ms GtG · 1000:1 | Só inclinação (−5°/+15°) |
Pódio VA
| Monitor | Painel e densidade | Taxa e contraste | Suporte |
|---|---|---|---|
| Samsung Odyssey G5 27″ | VA curvo 1000R · 2560×1440 (109 PPI) | 165 Hz · 1 ms MPRT · 2500:1 declarado | Só inclinação |
| PCYes O-Creed O27CQ | VA curvo 1500R · 2560×1440 (109 PPI) | 180 Hz · 1 ms · 3000:1 declarado | Só inclinação |
| Mancer Horizon Z2B | VA · 1920×1080 (82 PPI) | 100 Hz · 1 ms · 3000:1 declarado · 250 nits | Só inclinação |
VA contra IPS, critério a critério
| Critério | Painel VA | Painel IPS |
|---|---|---|
| Contraste estático típico | Alto — de 2500:1 a 3000:1 declarados | De 1000:1 a 1300:1, com até 2370:1 medidos no IPS Black |
| Limitação característica | Black smearing: rastro escuro na rolagem rápida | IPS glow: brilho difuso nos cantos no escuro |
| Onde a limitação mais incomoda | Ao rolar planilhas, documentos e código em modo escuro | Em filmes e cenas escuras num quarto sem luz |
| Cor e ângulo de visão | Perde saturação e muda de tom fora do centro | Cor estável em qualquer ângulo |
| Ambiente ideal | Sala escura ou de luz controlada, com foco em mídia | Ambiente iluminado, escritório e trabalho com texto |
| Para home office | Só quando o contraste noturno pesa mais que a leitura | A escolha mais segura para a maioria |
Como decidir
Se você passa o dia lendo documentos, código ou planilhas. Fique no pódio IPS: cor estável de lado e nenhum rastro na rolagem compensam o preto menos profundo no escuro. Com prioridade em conforto de leitura e ergonomia, a escolha é o Dell UltraSharp U2724D.
Se a mesma tela serve ao trabalho de dia e ao jogo à noite. Os 109 PPI e a taxa alta cabem numa compra só, com a altura resolvida por braço VESA e o DisplayPort travado em 165 Hz. A escolha é o ASUS TUF Gaming VG27AQ5A.
Se a sala tem janela e luz natural durante o expediente. Ambiente claro esconde o glow e expõe a perda de ângulo e o brilho limitado dos VA de entrada. Fique no IPS: o U2724D para leitura, o VG27AQ5A para uso misto.
Se o monitor fica num quarto escuro para filmes, séries e jogos de campanha. O contraste nativo do VA entrega preto sem a névoa acinzentada do IPS. Para imersão em QHD curvo, a escolha é o Samsung Odyssey G5 27″; com curvatura mais suave, o PCYes O-Creed O27CQ.
Se o orçamento é curto e a decisão é em Full HD. Compare as trocas: movimento limpo de 180 Hz sem rastro escuro, no LG UltraGear 27GS60F-B, ou o menor desembolso para contraste alto em tela grande, no Mancer Horizon Z2B.
Se você quer preto perfeito e texto nítido ao mesmo tempo. Nenhum LCD desta lista entrega os dois, e o OLED troca esses incômodos por burn-in e franjas coloridas no texto. Para trabalho com texto, a aproximação mais próxima continua sendo o IPS Black do Dell UltraSharp U2724D.
Veredito final
Não existe vitória absoluta entre VA e IPS; existe a física de alinhamento dos cristais e a luz real do seu ambiente. Para produtividade e leitura prolongada, o IPS é a recomendação técnica mais segura: o glow existe no escuro, mas some durante a jornada diurna. Dentro dele, o Dell UltraSharp U2724D é a escolha de quem vive em texto, pelo contraste medido e pelo único suporte completo da lista; o ASUS TUF Gaming VG27AQ5A é a de quem divide a tela com jogo, com o DisplayPort em 165 Hz; e o LG UltraGear 27GS60F-B mantém o movimento limpo no orçamento curto.
Para filmes e jogos de imersão à noite, o VA compensa a lentidão em tons escuros com uma profundidade de contraste que nenhum IPS convencional alcança. O Samsung Odyssey G5 27″ lidera esse lado, o PCYes O-Creed O27CQ é a alternativa de curvatura mais suave e o Mancer Horizon Z2B é a entrada — os dois últimos com números de fabricante, sem medição independente.
O que não muda com nenhum deles: confira a sigla do painel na ficha do modelo exato, planeje a altura da tela antes do pedido — cinco dos seis só inclinam — e filme a abertura da caixa. O teste do quarto escuro nos primeiros dias é o que separa uma escolha consciente de uma devolução.
Por onde continuar
Este guia cobre a escolha entre os defeitos do VA e do IPS. As leituras abaixo aplicam o mesmo critério em decisões vizinhas:
Monitor 27″ Full HD ou QHD
Definida a tecnologia do painel, a densidade de pixels decide o serrilhado de borda de texto. A conta entre 82 PPI e 109 PPI.
Conectividade de MesaHub USB-C ou docking station
Como ligar o monitor ao notebook com entrega de energia e saídas de vídeo sem gargalo de largura de banda.
Painel OLEDMonitores anti-burn-in em 2026
Se o OLED parece a saída para os dois incômodos, o risco de burn-in e as tecnologias que tentam contorná-lo vêm antes da compra.
VA ou IPS: o que ainda gera dúvida
Respostas diretas baseadas no comportamento físico das telas e em relatos de proprietários.
Para a maioria de quem trabalha com texto, planilhas e código, o IPS é a escolha mais segura: a cor é estável em qualquer ângulo e o texto não borra durante a rolagem. Para leitura prolongada, nossa recomendação é o Dell UltraSharp U2724D. O VA só leva vantagem em filmes e jogos em ambiente escuro, pelo contraste superior.
É o atraso do cristal líquido ao sair do preto total para tons de cinza escuro. Essa demora cria um borrão escuro atrás de objetos em movimento e faz as letras parecerem borradas durante a rolagem em modo escuro.
Se o brilho muda de intensidade quando você move a cabeça, é IPS glow, uma característica normal da tecnologia. Se a mancha é fixa e intensa em qualquer ângulo, é vazamento de luz (backlight bleed), um defeito de montagem que justifica a troca.
Não. A Samsung usa o selo “Odyssey G5” tanto em modelos VA curvos, como o LS27CG550 do nosso pódio, quanto em modelos Fast IPS planos, como as variantes G50D e G53F. Confira o tipo de painel na ficha técnica do modelo exato antes do pedido.
Não compensa. Subir o overdrive ao máximo costuma gerar ghosting inverso — halos claros ao redor de elementos em movimento, frequentemente piores que o rastro original. O nível intermediário é quase sempre o ponto correto.
Depende da marca. Nas linhas de entrada, reclamações no Reclame Aqui descrevem exigência de um número mínimo de subpixels mortos, geralmente entre 3 e 5, para autorizar a troca. A Dell, nas linhas Pro e UltraSharp, oferece até três anos de garantia com troca avançada. Leia a política antes do pedido e filme o desembalar.
Filme a abertura da caixa. Num VA, role uma página com fundo escuro para avaliar o rastro. Num IPS, apague a luz e mova a cabeça para saber se o brilho nos cantos é glow, que muda com o ângulo, ou vazamento real. Nos dois, procure pixels mortos com tela cheia branca e preta.
VA ou IPS: qual painel escolher
Por que confiar em nós
Nós do Com Critério cruzamos a ficha técnica oficial do fabricante com medições de bancada publicadas por veículos independentes, sempre nomeadas e datadas, e com o que proprietários relatam em comunidades públicas. Calculamos a densidade real de cada painel, conferimos o ajuste de suporte declarado e dizemos onde a evidência termina.
Nesta apuração, isso significou identificar na ficha oficial os cinco monitores sem regulagem de altura, registrar o padrão de tela preta no DisplayPort do ASUS TUF VG27AQ5A acima de 165 Hz e separar os modelos VA e IPS vendidos sob a mesma linha Odyssey G5.
Nenhuma marca paga por posição e nenhum texto passa por aprovação externa. Se você identificou um dado divergente ou tem um relato de uso de algum destes monitores, envie sua contribuição: a correção pública faz parte do nosso método. Veja o processo completo →

